DOM ARTHUR HENRIQUE AQUINO
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO AUXILIAR DE OVERLAND

CARTA PASTORAL HUMILITAS IN EXEMPLO PECCATORUM 

A todo clero de Overland, em especial aos Sacerdotes e a todos que esta minha carta lerem ou ouvirem, saudação e benção da parte de Deus nosso pai.

Introdução

Caríssimos irmãos, animado pela ação do Espírito Santo e pelo coração de Maria Santíssima que tanto roga por essa Diocese, decido escrever está Carta Pastoral. Com o tema ''Humilitas in exemplo peccatorum'' (Humildade à exemplo dos pecadores), somos chamados a refletir sobre a passagem de (Lc 18,10-14) para termos enfim a humildade à exemplo de um publicano, que é aquele que por mais que fosse julgado por todos, nunca se exaltou diante de Deus.

Resumo

O Evangelho se inicia com Jesus contando uma parábola, e este capítulo contém bastante parábolas, essa creio que seja a mais famosa em que dois homens, um Fariseu, e um publicano, que na época era o cobrador de impostos, muito julgado pela sociedade, foram ao templo rezar. Chegando lá ambos iniciaram suas orações, porém o Fariseu se exaltava dizendo que não era como os demais pecadores, porque jejuava e pagava o dízimo, e rezava todos os dias, mas o  publicano ao contrário reconhece seus pecados e permanece humilde, e então Jesus conclui com a famosa Frase: ‘’Quem se Exalta será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. (Lc 18, 14)

Realidade presente na Igreja

Como este Evangelho é tão presente no dia de hoje! Na Igreja há sempre o exemplo do Fariseu que aqui podemos colocar o exemplo dos sacerdotes na nossa realidade virtual. Quantos deles seguem o exemplo do Fariseu? E se exaltam dizendo: -"Ainda bem que não sou como essa gente, participo de uma comunidade que evangeliza virtualmente, jejuo, rezo o terço todos os dias, faço lectio divina e por isso sou mais digno que vocês’’. Ou pior, desprezam os seminaristas e os leigos, se esquecendo que um dia fora igual a eles. Porém Santo Agostinho nos dá um conselho muito importante "Se seguires o caminho da Humildade chegarás ao Altíssimo''. A questão dessa leitura, é como nós nos colocamos diante do altar do Senhor? Nos exaltamos ou reconhecemos que somos pecadores? Afinal é o que fazemos na Celebração Eucarística quando o sacerdote diz para reconhecermos nossos pecados no Ato Penitencial. Santo Agostinho, novamente em seu sermão nos diz “Aceita a tua imperfeição. É o primeiro passo para alcançares tua perfeição”(Serm. 142,10). Palavras tão difíceis de compreender, mas tão presente na nossa realidade. Devemos reconhecer nossos erros, e coloca-los como forma de mudança, não como forma de nos exaltar. Afinal renda e cor de batina não me faz melhor que ninguém.

Neopelagianismo: um mal que deve ser cortado!

Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco, ele nos alerta sobre o Neopelagianismo, algo muito presente na Igreja e na nossa realidade virtual. Afinal o que é essa palavra tão difícil? È nada mais que o exemplo das pessoas que se sentem superior aos outros por cumprir determinadas normas, isso que o Papa Francisco chama de Neopelagianismo. Muitos na Igreja são os ‘’Fariseus’’ que seguem inconscientemente esse termo. Nós que evangelizamos virtualmente, diretamente ao Senhor e ao povo de Deus, devemos correr dessas práticas que contaminam nossa alma! Devemos seguir o exemplo do Publicano, mas não seu exemplo de cobrar os impostos mas o exemplo de sua humildade.

Se formos parar para ver, nesse evangelho Jesus não informa nada sobre o publicano, não informa o nome, idade, nem nada. Mas deixa claro duas coisas. O seu reconhecimento e a sua humildade. E falando de reconhecimento, me recordo do famoso Evangelho de Lucas da Paixão do Senhor, São Dimas perante a Cruz com humildade reconhece que era digno de sofrer tal pena, e ainda pede perdão pelos seus pecados. Com isso tudo incluímos também uma conclusão profunda, ambos os exemplos são um grande ensinamento para nós, porque querendo ou não nós temos nossa vida espiritual com o senhor, e eles provavelmente não, e se tinham era pouca, porque eles eram aqueles que eram julgados pela sociedade e faziam práticas imorais. Mas mesmo com todas essas coisas eles  reconheceram os seus erros e foram humildes. Afinal de que adianta nós termos a maior intimidade com Deus, como o Fariseu, se não temos o principal que é o reconhecimento e a humildade do Publicano? 

Como combater esse mal?

O Papa Pio XII nos diz que a Liturgia (que aqui podemos aplicar a evangelização) ''não é somente um conjunto de leis e preceitos’’. Na Carta Apostólica Desiderio Desideravi o Papa Francisco conclui essa frase de Pio XII nos recordando que na Liturgia encontramos o antídoto para esse veneno, o veneno do Neopelagianismo. Se formos pegar os principais documentos da Igreja, como a Sacrosanctum Concilium que nos recorda Cristo como o grande protagonista da Liturgia, passamos a perceber que o remédio que o Papa Francisco diz que encontramos na Liturgia nada mais é que um dos grandes mistérios que Cristo nos deixou, a palavra e o amor, a partir do momento em que amamos a Cristo, e seguimos Ele, nós nos curamos desse mal que afeta a Igreja. Porque o amor nos explica tudo, e se somos amantes de Cristo e apaixonados pela missão devemos compreender e seguir o Caminho da Humildade

Enfim, posso concluir novamente com a frase de Santo Agostinho, reconheça suas imperfeições para ser perfeito. Uma frase tão profunda mas que sua resposta se encontra nas Sagradas Escrituras. O Publicano reconheceu sua imperfeição dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! E a partir daí ele se torna perfeito, mas perfeito não é alguém sem pecado e sim alguém que coloca acima de tudo os seus erros abaixo de qualquer coisa, porque se nós continuarmos a fabricar esse veneno no nosso coração não seremos perfeitos e sim continuaremos a nos perder no ego e no veneno do Neopelagianismo, como é o caso do Fariseu e de tantas outras pessoas na Igreja!

Em Cristo,
Arthur Henrique Aquino
Bispo Auxiliar de Overland


Overland, Amazonas 1 de Junho de 2023.