DOM CARLOS EDUARDO CORDEIRO 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA

 DIOCESANO DA AMAZÔNIA

Prot.: 018/2026

Ao clero, religiosos, leigos e  todos que a este leem, 
Saudações e da parte de Nosso Senhor. 
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“Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15)

Ao iniciarmos o santo tempo da Quaresma, especialmente a partir da Quarta-feira de Cinzas, dirijo-me a todos com coração de pastor. A Igreja nos concede, mais uma vez, quarenta dias de graça e conversão. O Senhor nos dirige um chamado claro, como nos recorda o Evangelho de Marcos: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). 

A Quaresma não é apenas um período de práticas externas ou de simples renúncias. Não se trata somente de abster-se de determinados alimentos ou costumes. Antes de tudo, a Quaresma é um chamado profundo à conversão do coração. Cristo nos convida a iniciar um caminho de renovação da fé, que nos conduz à celebração da Páscoa, onde contemplamos o mistério de seu amor e de sua entrega pela salvação do mundo.

Este tempo sagrado é também um tempo de reconciliação. Somos convidados a voltar ao coração de Deus, a reconhecer nossas fragilidades e a não desanimar diante de nossas limitações. O Senhor nos espera com amor de Pai. Ele deseja que vivamos em comunhão com Ele e que façamos parte de seu Reino. Por isso, a Quaresma deve ser vivida com esperança e confiança. É o tempo de abrir o coração à misericórdia divina e de fortalecer nossa intimidade com o Senhor.

A Igreja, mãe e mestra, apresenta-nos o caminho  para viver este tempo: os três pilares quaresmais — oração, jejum e caridade.
Pela oração, renovamos nossa amizade com Deus e aprendemos a escutar sua voz.
Pelo jejum, educamos nosso coração e recordamos que Deus deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida.
Pela caridade, tornamos visível o amor de Cristo através de gestos concretos de solidariedade, serviço e cuidado com os mais necessitados.

Neste ano, somos chamados a recordar que Cristo veio habitar entre nós e a compreender que a fé se traduz em serviço. A vivência quaresmal deve nos conduzir a um compromisso concreto com o próximo, especialmente com os que mais sofrem. Assim, fortalecemos nosso vínculo com Deus e testemunhamos o Evangelho com a vida.

Exorto vivamente todos os fiéis de nossa diocese a viverem este tempo com intensidade espiritual.
Convido cada fiel a participar com maior assiduidade da Santa Missa, a buscar o sacramento da Reconciliação, a dedicar tempo à oração pessoal e familiar e a assumir um gesto concreto de caridade durante este período.
Que nenhuma comunidade deixe de oferecer oportunidades de encontro com a misericórdia de Deus. Que ninguém permaneça distante da graça que o Senhor deseja conceder neste tempo favorável.

A Quaresma não é apenas quarenta dias de renúncias. É o tempo em que contemplamos o amor de Deus manifestado na cruz de Cristo. Da cruz brota a vida nova. Caminhamos rumo à Páscoa para sermos transformados e renovados. Se abrirmos verdadeiramente o coração, estes dias poderão marcar não apenas um período do ano, mas uma mudança profunda em nossa vida.

Desejo que esta Quaresma seja vivida com propósito e sinceridade. Que a oração, a penitência e a caridade não se limitem a estes quarenta dias, mas se tornem um estilo permanente de vida cristã. Que, ao final desta caminhada, possamos experimentar uma verdadeira conversão e um coração mais unido a Deus.

Confio este tempo à intercessão da Virgem Maria, mulher fiel e discípula do Senhor. Que ela nos acompanhe e nos conduza ao encontro com seu Filho na alegria da Páscoa.

Dado e passado na Cúria Diocesana da Amazônia, aos dezoito dias do mês de fevereiro do ano do Senhor de dois mil e vinte e seis, Quarta-feira de Cinzas, início do sagrado tempo da Quaresma.

 CARLOS EDUARDO CORDEIRO   
Bispo Diocesano